O que eu trouxe nas minhas malas quando mudei para o Canadá

Hoje, no projeto #VidaEmTO, vamos falar sobre o que trouxemos nas nossas malas quando nos mudamos para o Canadá.

Antes de começar a escrever fiz listas e listas na minha cabeça, tentanto lembrar tudo que veio nas minhas duas malas de 32kg. Afinal eu já me mudei para cá duas vezes.

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A primeira mudança

Na primeira vez foi em dezembro 1998, bem no início do inverno. Saí da casa dos meus pais, com 19 anos e morar no Canadá seria uma coisa provisória. Então algumas coisas de casa, coisas pessoais, documentos e um monte de roupas e sapatos que não serviam para usar aqui no inverno. Enchi a mala de roupas e a maioria delas nunca usei aqui.

Como morava em Salvador, não tinha roupas de frio, o casaco mais grosso era uma jaqueta jeans. Para não vir sem nada, acabei comprando um suéter super caro e fino mas que o povo da loja jurou que ia aguentar os 7 graus que estava fazendo em Toronto. Claro que morri de frio quando cheguei aqui né?

Dica: se não tiver roupas de frio e vem no inverno, deixe para comprar aqui. Traga apenas algo básico. Mesmo as roupas mais quentes, vendidas no sul do Brasil não vão aguentar quando a temperatura estiver -20C ou pior. Você vai jogar dinheiro fora comprando lá. No Brasil a Decathlon é a loja que conheço com maior variedade.

A segunda mudança

Da segunda vez foi em setembro de 2007. Eu já tinha casa montada no Brasil, já sabia como era o esquema aqui e tinha casacos de frio comprados no Canadá. Queria economizar o máximo possível e evitar gastar com coisas que eu já tinha.

Desta vez eu trouxe menos roupas. Veio apenas o que sabia que ia usar, o essencial para o outono e inverno. Além disso vieram:

  • 2 jogos de lençóis
  • 2 toalhas de banho
  • toalha de mesa
  • alguns utensílios básicos de cozinha,
  • documentos
  • Mini farmácia com alguns antibióticos, antialérgicos, anticoncepcionais, enfim coisas que eu podia precisar e que aqui não vende sem receita (lembrando que quem imigra fica 3 meses sem ter direito a assistência mêdica do OHIP).
  • adaptador de tomadas
  • pen drives com muitas fotos
  • alguns supérfluos que tinham valor emocional.

Trouxe o meu gato também pela Air Canada.

O importante para nós era trazer coisas que íamos usar imediatamente e minimizar os gastos que teríamos ao chegar aqui.

Itens indispensáveis

Mas depois de fazer essas listas fiquei pensando o que mais eu poderia dizer para alguém que está vindo para cá. E cheguei a conclusão que mais importante do que os itens materias são os itens emocionais. Aqueles que não ocupam lugar na mala mas fazem toda a diferença entre ter sucesso e ou voltar desiludido. São as expectativas, o planejamento e a preparação psicológica para enfrentar o que vier pela frente.

Vejo muitas pessoas que chegam aqui achando que a vida no Canadá é um conto de fadas. Que nós ficamos ricos da noite para o dia e todos os problemas da nossa vida vão se resolver ao pisar em solo canadense. Quando chegam e encontram a realidade começam a reclamar que a vida aqui é pior que no Brasil.

A realidade no Canadá

Na realidade o Canadá nos oferece sim a possibilidade de ter uma qualidade de vida muito boa mas é preciso trabalhar duro para isso. E no começo a maioria das pessoas ralam para conseguir o primeiro emprego. Ou se submetem a trabalhar por pouco dinheiro ou até de graça para conseguir a tal da experiência canadense.

Em algumas profissões é preciso estudar para ficar apto a trabalhar aqui, como na área de saúde ou engenharia civil, por exemplo. Então venha preparado financeiramente e emocionalmente para tudo isso.

O inverno é longo, frio e chato. A gente fica triste, sente falta do sol, do calor, da família… Mas a vida não pára. Compre roupas apropriadas, abrace o que a estação tem a oferecer e não fique em casa lamentando o frio.

As pessoas reclamam da qualidade das escolas, do sistema de saúde, do transporte público… Mas me responde aí, existe algum lugar perfeito no mundo?

O Canadá tem problemas como em qualquer lugar e quando nos mudamos para cá aceitamos trocar os problemas do Brasil pelos problemas daqui. Você escolhe o que é insuportável ou suportável para você.

Vontade de vencer

Ser realista e vir com muita vontade de vencer, preparada para o que der e vier foram os itens que mais fizeram a diferença na minha bagagem de mudança para o Canadá. E é esse conselho que eu deixo para vocês que estão pensando em imigrar ou são recém chegados aqui.

Gostou desse post?

Então leia mais sobre como é a vida em Toronto aqui no blog.

Agora vamos conferir as dicas das outras blogueiras participantes do projeto #VidaEMTO:

Mirella | Blog Casal Mikix

Gabriela | Gaby no Canadá

Mariana | Virei Canadense

Caroline | Minha Neve e Cia

Isa | Delineado Gatinho

Carina | Outside Brazil

Fiquem ligados que dia 15 de novembro tem mais!!!


Foto: domínio público

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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9 Resultados

  1. Oi Livi!
    Descobri seu blog há uma semana e estou amando a forma como conta td, parece que estamos conversando.
    Eu estou pensando em ir ai para o Canadá com minha família (eu, meu marido, meu filho -14 anos e minha filha – 10 anos), a principio para aprender inglês de depois para fazer meu doutorado. Tenho mestrado em Ciências da Reabilitação e sou formada em Ed. Física.
    Pelo que li agora tenho que primeiro fazer o curso de inglês e depois aplicar para o doutorado, uma vez que meu inglês ainda é intermediário. Essa informação está correta?
    Obrigada por compartilhar suas experiências de forma verdadeira e tão próxima.
    Bjs!

    • Livi disse:

      Oi Simone,

      Eu não sou expert em imigração mas acredito que é preciso ter inglês suficiente pra tirar uma boa nota no IELTS. Se ainda não chegou lá o curso de inglês é o caminho. Beijos

      • Obrigada Livi, foi o que pensei. Pelo que li agora tenho que tirar um visto só pro curso de inglês e depois aplicar para o doutorado. Com visto de estudante pra mim, meu marido poderá trabalhar né? Obrigada novamente e bjs!

        • Livi disse:

          Visto de estudante para estudar inglês não dá direito ao marido trabalhar mas se for o visto do doutorado acredito que ele pode sim. Mas confirma no site da CIC pois eles mudaram um monte de coisas esses dias e como estou doente não consegui ler tudo. Beijos

  2. Adorei Livi… as malas tem que estar realmente cheias de vontade e livres do desapego. Beijos

  3. Ana Karla disse:

    Livi.Você tem informações sobre Winnipeg? Escolas-college e se essa provincia é boa pra se trabalhar e estudar?

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