Prince Edward Island (PEI): a terra de Anne of Green Gables

Prince Edward Island (PEI) entrou para minha lista de lugares a visitar depois de ler o livro Anne of Green Gables, um clássico da literatura canadense. Acho que todo mundo que lê o livro tem vontade de ir lá. Boa parte do marketing turístico de PEI é baseado nessa história, que é ficção. Claro que tem outras coisas também mas a Anne of Green Gables é figura importante em tudo que é canto da ilha. Ilha? Sim a menor província canadense é uma ilha e sua população também é a menor de todas as províncias (146.100 em 2012), só ganha para os territórios.

prince-edward-island-27Farol em North Rustico

PEI foi uma surpresa boa em nossa viagem, digo surpresa pois superou todas as expectativas. O lugar é super tranquilo e as pessoas incrivelmente simpátivas e prestativas. Tínhamos planejado dois dias lá e acabamos cancelando nossa futura parada em Fredericton para ficar em Charlottetown mais um dia. E mesmo no dia de ir embora deu vontade de ficar.

Confederation Bridge

Até 1997 o acesso a PEI era feito apenas por ferry ou avião, depois construíram a Confederation Bridge onde fizemos nossa primeira parada a caminho da ilha. A ponte tem 12.9km e é a maior sobre águas que congelam. A galera por lá tem um pouco de complexo em dizer que é o maior ou o melhor em muitas coisas hehehe (melhor sorvete canadense, maior produtor de batatas e por aí vai).

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Na base da ponte tem um centro de informações turísticas com estacionamento, mirante e pequenas trilhas que levam a praia. Como a maré estava baixa, descemos. As meninas cataram conchas gigantes e molharam os pés na água. Sophia arrancou o vestido e se jogou. A água aqui já não é tão fria quanto em New Brunswick.

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O centro de informações turísticas oferece um tour pelo farol próximo mas não fizemos.

prince-edward-island-8Green Gables

Depois de matar a saudade da praia seguimos direto para Green Gables, a fazenda que pertenceu a família de Lucy Maud Montgomery e inspirou toda a história da Anne. Hoje é considerada patrimônio histórico canadense. Nem precisa dizer que foi bem emocionante andar nesse lugar. Foi como se andasse dentro do livro ou do filme (sim tem filme também, claaaro!).

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O lugar é pequeno e bem bonitinho. Em 2 horas dá para ver tudo Fizemos picnic, visitamos o celeiro, lojinha de souvenirs e andamos nas trilhas Lovers Lane e Haunted Woods. O picnic teve direito a Raspberry Cordial e tudo, um refrigerante made in PEI que tem gosto de Tubaína. Sentamos em baixo de uma macieira em frente a casa para fazer o picnic.

E claro que não posia faltar a foto jacú com a Anne e Marilla. 🙂 Se tivesse fantasia ia me vestir e tirar foto a caráter. A Lojinha de souvenir tinha muitas coisas com preço justo, trouxe uma bonequinha de louça para pendurar na árvore de Natal por $5 e o maridão, que nunca compra nada, arrumou uma camisa. A entrada custou $7,80, as meninas não pagaram.prince-edward-island-11prince-edward-island-9

O quarto com as cortinas verde é da Anne.

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Mesmo sem ter animais de verdade no celeiro as meninas gostaram, então tá valendo. Lá dentro tem um resumo da história real da fazenda e da família de Lucy Maud Montgomery. Próximo a fazenda tem a casa onde nasceu a escritora e vila de Avonlea, não deu tempo de ir.

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North Rustico

Depois do passeio na fazenda levamos as meninas na praia de North Rustico, que fica ao lado da famosa Cavendish. Pense num lugar gostoso, com praia calma e rasinha!prince-edward-island-19

Segundo os locais, PEI tem a água mais quente norte da Flórida. Não sei se é verdade mas é bem melhor do que os lagos super gelados que estamos acostumados em Ontário. Detalhe: aqui a água é menos salgada que em Salvador 🙂 prince-edward-island-18prince-edward-island-20 prince-edward-island-23

Onde ficar

Já mortos de cansados seguimos para nosso hotel, que na verdade não era bem um hotel e sim a residência dos estudantes do Holland College, The Glendening. Tive bastante dificuldades para encontrar lugar com preço pagável para ficar no centro de Charlottetown, era tudo bem caro e muitos já estavam lotados. A maioria das opções eram Bed and Breakfast operados por famílias e tinha minhas reservas por causa das meninas. Fiquei com medo que elas fizessem barulho e de passar alguma situação desagradável. Mesmo assim procurei, escolhi um deles e mandei email antes de fazer a reserva perguntando se tinham alguma restrição para crianças e acreditam que sequer me responderam! Riscado da minha lista o Hotel on Pownal.

Foi então que vi a opção da residência na faculdade por um preço ótimo e arrisquei. O “quarto” é um mini apartamento com cozinha e dois quartos (tem outras opções), tudo muito simples mas nos serviu bem. O importante é que estava limpo e no centro da cidade. A residência estava praticamente toda ocupada por famílias com crianças de todas as idades, o que foi um alívio pois minha preocupação era chegar lá e ter um monte de gente baixo astral fazendo farra a noite toda.

Se você não se importar com simplicidade, internet sem fio apenas nas áreas comuns, café da manhã básico, ar condicionado de janela e de recolher seu próprio lixo pode ir sem medo. Apenas leve suas toalhas pois as de lá são pequenas e estavam meio gastas. Na recepção peça um kitchen box e eles te emprestam talheres, copos, xícaras, panelas e outras coisas de cozinha, é free.

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O recepcionista foi super gente fina, nos deu várias dicas de lugares para visitar, jantar e ficava puxando conversa toda vez que passávamos por lá. Perguntamos sobre a vida na ilha, empregos, imigração e o descendente de irlandês falava pelos cotovelos. Para mim viajar é muito mais do que conhecer atrações turísticas, é interagir com o povo, aprender sobre o lugar e trocar experiências. E o povo em PEI estava sempre disposto a conversar.

Um Restaurante legal

Para fechar o dia com chave de ouro jantamos no Lobster on the Warf. A comida estava divina, o Jaime foi de Lagosta e cerveja local, eu pedi um prato que vinha um pouco de cada coisa e para beber uma Lobsterita. E claro batatas e verduras locais fresquinhas. Nunca comi uma batata tão gostosa na vida, sério. E olha que a batata que compro aqui em Toronto é de lá, devia ser a fome 😉

O garçon muito simpático perguntou se éramos do Brasil e disse que tinha acabado de voltar de uma viagem de 6 meses na América do Sul onde visitou o Brasil de Manaus a Foz do Iguaçu. Também nos deu dicas de lugares legais para ir, falou sobre a vida na ilha e disse que era para mudarmos para lá, que gostavam de ver gente nova no pedaço.

A vida na ilha tem um ritmo diferente do que estamos acostumados, tudo muito tranquilo. Tem um ar vintage, de um lugar que ficou congelado no tempo e não foi invadido pela loucura do progresso e capitalismo. Não estou dizendo que não seja desenvolvido, lá tem tudo que precisamos para viver e não tem aquela correria, nem stress de grande cidade. Todos que encontramos falaram que em algum ponto da vida quem nasceu lá se muda para alguma grande cidade em outra província e que depois que constituem família acabam voltando para criar os filhos em PEI. E que a lição que tiram de toda essa mudança é que precisam ver o outro lado da moeda para apreciarem o que tem.

PEI certamente é um lugar ótimo para crianças, uma qualidade de vida maravilhosa. Para mim lugar perfeito para passar as férias.

Dicas úteis

Site oficial do Turismo em PEI: https://www.tourismpei.com

Para pedir um guia ofical e mapas grátis, clique aqui.

Apps para iPhone, Blackberry ou Android aqui.

O livro de Anne of Green Gables é vendido em português na Saraiva, aqui o link (não ganho comissão só estou dando a dica).

Se você mora no Canadá pode pegar emprestado os livros ou filmes em qualquer biblioteca.

Leia os outros posts dessa viagem

Roadtrip para o leste do Canadá – última parte
Panmure Island e um pouco mais de Charlottetown
Charlottetown, Cavendish e Covehead lighthouse
Hopewell Rocks, New Brunswick
Um passeio por Saint John (New Brunswick)
Roadtrip para o leste do Canada: St. Martins, New Brunswick
Roadtrip para o leste do Canadá

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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11 Resultados

  1. ivone fukunaga disse:

    Livi, bom dia!
    Irei para PEI em setembro e ficarei um mês. Vou ler todos seus posts sobre a ilha.
    Leio o Blogs de outras brasileiras que moram em Toronto, e pelo que vi vocês são amigas. A Mirella e a Gaby.
    Coletando muitas dicas dos blogs para meus passeios em Toronto.

  2. Gabi disse:

    Que lugar incrível Livi! Já vou procurar o livro pra ler, fiquei super curiosa!
    =)

  3. Amei, amei o post! Livi, sua viagem foi muito legal e está sendo um prazer ler sobre ela. 🙂
    Eu quero muito conhecer as províncias do leste, especialmente PEI – graças à Anne, claro! Espero poder fazer uma road trip dessas em breve…
    Beijos,
    Lidia.

    • Obrigado Lídia, que bom que está gostando!

      Quando vocês forem para o leste considerem o caminho via Sherbrooke e Maine, dizem que o caminho é mais bonito e tem a vantagem de conhecer a parte sul da costa de New Brunswick. No livrinho deles tem um roteiro legalzinho de atrações lá.
      Beijos

      • Ah, obrigada pelas respostas! Quando eu vi o seu roteiro de viagem, achei que o caminho através do Maine devia ser o pior, visto que vocês escolheram “dar a volta” pela Transcanadiènne… Talvez o tempo perdido na imigração, para entrar e sair dos EUA seja meio longo? Rsrsrs…
        Beijos,
        Lidia.

        • Pelo que eu li é exatamente isso, o caminho é mais curto mas demora mais por causa das duas imigrações. E também são estradas secundárias sem o suporte que tem a Transcanada. Para quem vai com duas meninas no carro perguntando se já está chegando por minuto melhor ir pelo Canadá hehehe

  4. Oi Livi, parece ser um destino bonito e interessante para se conhecer. Beijos, Nanda

  5. Martha disse:

    Adorei o post!! Fiquei bastante curiosa sobre a história de Anne.

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