Um perrengue e algumas histórias engraçadas da minha vida em Toronto

Quem nunca viveu um perrengue ou passou uma situação engraçada no exterior por falta de informação, conhecimento do idioma cultura? Eu já passei várias, principalmente aqui no Canadá. No projeto #VidaemTO desse mês escolhemos falar justamente disso e vou compartilhar com vocês um perrengue e algumas situações engraçadas. Além dessas histórias, tenho outro post com dicas para não pagar mico no Canadá, para ler clique aqui.

Perrengue

A noite que quase vamos presos

Quando nos mudamos para Toronto, em 1998, marcamos um hotel por 5 dias e o objetivo era arranjar um lugar para ficar nesse período. O que não aconteceu, claro. Como não pudemos renovar a estadia no local, reservamo uma semana na Pembroke Residence, o único lugar que achamos. Naquela época não tínhamos disponível o tanto de informação que temos hoje.

O local era bem simples mas até aí tudo bem. Porém à noite, aquilo se transformou num inferno. As pessoas gritavam no corredor, batiam na nossa porta e em uma certa altura da noite deu polícia. A gente já tinha colocado metade dos móveis atrás da porta com medo, pois percebemos que haviam drogas e prostituição rolando solto. Imaginem a confusão! Graças a Deus não deu problema para nós mas foi um terror.

No dia seguinte saímos com a mala na mão sem destino e sem o dinheiro que tínhamos pago. Fomos parar num restaurante brasileiro em Little Portugal, chamado Tia Sônia (já não existe mais). Depois de matar a saudade da comidinha brasileira e conversar um pouco, ela nos colocou em contato com uma família de brasileiros que ia embora. Mesmo sem nos conhecer eles nos estenderam a mão e nos acolheream. Ficamos com eles uma semana enquanto  finalizavam a mudança. Quando foram embora ficamos com o apartamento. Nesse tempo eles nos mostraram a cidade e nos ensinaram várias coisas.

Hoje esse perrengue teria sido facilmente evitado lendo uma review no Trip Advisor ou qualquer outro site similar. Mas o lado bom de tudo isso foram as pessoas que conhecemos. Me marcou muito a forma como fomos ajudados e isso definiu o tom de como eu queria viver minha vida aqui. Eu acredito que gentileza gera gentileza e tento passar essa gentileza que recebemos para frente, sempre que possível.

Os micos por causa das traduções ao pé da letra

Já passei por muitas situações engraçadas por causa de traduções mas a primeira foi sem dúvida a que mais me marcou. Fomos comprar sorvete e largamos um “we would like 2 balls please.” A cara da mulher foi impagável! Ela não entendeu e a gente ficava gesticulando, fazendo sinais de bolinhas com as mãos e apontando para o sorvete. Até que ela entendeu e nos explicou que a forma correta de falar é “two scoops”.

Mico clássico no transporte público

Acho que hoje ninguém mais faz isso mas eu entrei no ônibus e dei $10 para o motorista. Ele ficou olhando para mim, falou um monte de coisa que não entendi e mandou descer. Pense no desespero. Até descobrir que tinha que ter o valor certinho para colocar na caixinha eu paguei muito mico.

Outra coisa ridícula foi o meu desespero a primeira vez que andei de metrô pois não achava o lugar onde pedir o ponto. Claro que o trem para em todas as estações mas eu, no auge dos meus 19 anos, não sabia.

Vergonha para comprar remédio de piolho

Piolho é uma coisa super incoveniente em qualquer lugar mas descobrir que sua filha está com piolho e você nem sabe que remédio comprar é pior ainda. Mesmo depois de anos de Canadá isso foi uma novidade para mim. Tive que perguntar pois não sabia nem o que usar e a pessoa da farmácia numa delicadeza de urso falou bem alto pra todo mundo ouvir “você precisa de remédio para PIOLHO?”.

As pessoas atrás de mim deram uns 3 passos para trás como se eu tivesse uma doença contagiosa. Comprei o remédio e saí de lá o mais rápido que pude.

E vocês, passaram por algum perrengue ou mico aqui no Canadá? Conta para nós.


Confira também os outros posts do projeto #VidaemTO

Mirela | Casal Mikix

Gabriela | Gaby no Canadá

Mariana | Virei Canadense

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida em Toronto

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6 Resultados

  1. Adorei o post e as histórias. Que bacana essa família que te ajudou mesmo sem te conhecer, também penso assim, gentileza gera gentileza! Bjs

  2. Tharcila disse:

    Um dia eu fui dizer que eu tinha um amigo que fazia intercâmbio e acabei falando “intercourse”. Ahahah. Na hora me liguei da besteira que falei e me corrigi. Mas saiu, fazer o que rs!

  3. Ahaha! Morri de rir com o sorvete!! Kkkkk… passei por uma parecida no trabalho: Eu fazia parte do suporte na empresa, então de vez em quando ficava com o pager (alguém lembra do pager? :O ). Aí eu queria dizer que o pager tinha tocado, mas estava no silencioso, mas acabei falando alguma coisa do tipo vibrador.. KKKKKKKKKKK… depois que eu vi a cara dos colegas de trabalho, percebi que tinha falado besteira, mas graças a Deus estamos no Canadá, se fosse no Brasil eu estaria ouvindo piada até hoje. Kkkkkkkk…
    E no ônibus acho que todo mundo já passou por isso também, do dinheiro trocadinho, mas e fazer sinal pra ele parar no ponto? Até eu entender que não precisava…. aff… ahahah! Ai, ai… vão dar boas histórias para os netos! 🙂
    Bjs!!

    • Livi disse:

      Kkkkkk Paula morri de rir com sua história também!
      Nossa agora que você falou do ônibus eu lembrei que também fazia sinal para ele parar. E a primeira vez que andei de metrô fiquei procurando a cordinha para dar o sinal de parada na estação seguinte. Eu nunca tinha andado de metrô antes na vida. Kkkk

  4. Joseane disse:

    Claro que sim! perrengue é o que não falta para mim.
    Também vivi a situação do ônibus, mas o motorista foi mais gente boa e me deixou ficar. Andei de graça!
    As bolas do sorvete nos pregaram a peça logo na primeira semana. Aprendemos rápido.
    Eu também falava “It´s hot “, e já me explicaram que não pode falar hot e sim warm, pega melhor principalmente se você~e não conhece a pessoa.
    E assim vai, ainda tenho mania de fazer a tradução ao pé da letra e sempre me encrenco com isso. Meus filhos estão me salvando de pagar mais mico que o necessário.
    beijos

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