Projeto Mães no Canadá: perrengues de uma mãe expatriada

O tema do post desse mês no projeto Mães no Canadá é perrengues da vida de mãe expatriada. Mas olha, para poder contar as situações complicadas que já vivemos aqui, eu teria que escrever um livro.

Teve aquela vez que descobri que a filha abriu a fralda e lambuzou o quarto inteiro de cocô. Teve aquela que achei a cria dentro da máquina de lavar. Também já encontrei metade da casa pintada de esmalte e maquiagem. Difícil escolher…

Ah e mesmo depois de grandes (10 e 8) não estou livre dos perrengues. Dia desses, uma colocou slime (geleca) no cabelo da outra e quando vi bateu um desespero. Imaginei que teria que cortar mas consegui remover o slime com vinagre. Fica a dica. Ah e serve para remover slime do carpete, sofá e qualquer tecido também! Sim, já aconteceu também.

Mas acho que esses são perrengues bem comuns, vividos por mães em qualquer lugar. Então, separei 5 situações tragicômicas que vivi, que talvez não acontecessem se eu morasse no Brasil.

O dia que…quase chamaram o child services para nós

Quando a Elena, minha mais velha, tinha só 1 aninho, ela quebrou a clavícula. Aconteceu de uma forma bem boba. Ela tentou subir no sofá sozinha e caiu da lado. Corri mas não deu tempo de pegar. Só que depois da queda ela ficou chorando sem parar e achei que havia algo errado.

No desespero de mãe de primeira viagem, liguei para o 911. Em 2 minutos chegaram ambulância e carro de bombeiros. Um circo! Vizinhos vieram ver o que aconteceu e no fim eles olharam a criança, riram e disseram que provavelmente ela estava chorando com dor de dente. Que raiva!

Como eu sabia que não era, pois ela não parava de chorar, fui ao hospital North York General. Examinadam e mandaram embora. Passamos a noite com ela choramingando toda vez que se mexia e pela manhã, optamos por levá-la ao hospital Sick Kids.

O médico examinou e rapidinho diagnosticou como uma possível fratura na clavícula. Só que aí ele suspeitou que nós tínhamos maltratado a criança. Pegou um formulário e começou a fazer inúmeras perguntas, num tom super sério.

Expliquei com detalhes o que havia acontecido e ele disse que o “acidente” precisava ser registrado. No futuro, caso essa mesma criança voltasse no hospital com alguma outra fratura nós receberíamos uma visita do child services para investigação. Tenso!

O dia que… levei bronca por dar soro caseiro a minha filha

Certa vez a Elena estava com uma diarréia terrível, que não passava de jeito nenhum. A minha maior preocupação era que ela ficasse desidratada, então preparei o soro caseiro. Na época eu não sabia sobre o Pedialyte.

Acabei novamente indo para o hospital e quando falei que tinha feito o soro levei uma mega bronca. Ficaram indignados que ao invés de dar Pedialyte eu fiz uma coisa caseira para dar. Tive que explicar o que era e as quantidades que usei para fazer a criatura entender que eu não era doida. No fim um médico mais velho veio e disse que o que fiz não estava errado. Dureza!

O dia que…fui expulsa da cerimônia de cidadania canadense

No dia de jurar a bandeira e nos tornarmos canadenses, levamos as meninas junto, pois não tínhamos com que deixar. A Sophia era bebê na época, e durante a cerimônia começou a choramingar.

Eu fiz tudo para tentar acalmá-la mas não adiantou. Estava na hora de dormir e toda vez que batiam palmas ela se assustava. Até que chegou um funcionário e educadamente me convidou a sair. Como assim? Mas eu vou jurar a bandeira!

Resultado, não participei da cerimônia. O marido virou canadense e eu não.

Sorte que no fim o juiz veio me procurar e jurei a bandeira sozinha. Ele foi super gente boa, ao contrário do funcionário mala. Fez piadas do meu perrengue e me fez jurar em francês.

O dia que…a vice diretora da escola ameaçou chamar a polícia para mim

Isso aconteceu no segundo dia de aula da Elena.

Como já falei nesse post com curiosidades sobre as escolas em Toronto, aqui é costume deixarmos as crianças na porta da escola e não acompanhá-las até a sala de aula ou pátio. Nem as pequenas.

Acontece que eu não sabia disso. No primeiro dia de aula deixamos as crianças no pátio da escola, na parte de trás. No segundo dia fiz a mesma coisa. Na volta a vice-diretora me encontrou.

E sem a mínima educação ela começou a brigar comigo, dizendo que eu estava invadindo propriedade privada, que ali tinha crianças e eu não podia ficar circulando, etc. Expliquei que tinha ido deixar minha filha no pátio e ela não quis bem saber. Continuou falando, dizendo que eu tinha que deixar a criança na porta e ameaçou chamar a polícia caso me encontrasse ali novamente.

Totalmente exagerado mas hoje eu até  entendo o excesso de zelo dela. Mas na época fiquei indignada!

O dia que…eu viajei para o Brasil coberta de xixi e cocô

Quando temos bebês sempre levamos mais de uma muda de roupa para a criança, caso aconteça algum acidente.

Mas não são todos que levam uma para os adultos. Eu nunca levei.

Numa das nossas idas ao Brasil, a fralda de uma das meninas explodiu enquanto ela estava no meu colo, dentro do avião. Sim, porque aquilo não vazou, explodiu. E eu tive que enfrentar o resto das quase 20h de viagem, suja e molhada pois não tinha roupa para trocar.

Mas aprendi a lição, certo? Errado.

Numa outra ida ao Brasil a filha mais velha passou mal no segundo voo, para Salvador. Fui catar o saquinho de papel e não tinha nada. Olhei nos 3 assentos que nós ocupávamos e nada. Resultado, tomei um banho e desembarquei daquele jeito.

Projeto Mães no Canadá

Esse post faz parte do Projeto Mães no Canadá, onde eu e outras blogueiras/Youtubers brasileiras, contamos nossas opiniões e experiências sobre um mesmo tema.

Passa lá nos outros blogs/canais para conferir os perrengues das outras mães:

Adriane | Like a New Home
Alessandra | Canadiando
Amanda | Viva Canadá
Beatriz | Biba Cria
Carol | Fala Maluca
Carol | Minha Neve e Cia
Danielle | Vidal Norte
Gabriela | Gaby no Canadá
Mariana | De Bem Com a Vida
Renata | Mala Inquieta
Vanessa | Partiu Canada

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida em Toronto

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3 Resultados

  1. Livi, é cada situação, né? Passei um perrengue parecido com o seu com sua pequena no hospital. A minha estava começando a aprender a se virar na cama, (essas benditas camas altas daqui), ela se virou e caiu. Meu Deus, que desespero. Corri com ela pro Sick Kids, expliquei tudo, chorei (mãe de primeira viagem-manteiga-derretida )… aí tive que ouvir da médica que era pra eu não me preocupar que eles não iam ligar pro CAS. Mas assim, se fosse mal-trato, por que eu a levaria no hospital? Essa do soro caseiro também me deixou de cabelo em pé. É tenso demais. Beijos!

  2. Dani disse:

    Livi, me desculpa, mas eu to chorando de rir com a história de viajar pro Brasil suja de xixi e coco, e ainda numa segunda vez sair suja de vômito! Eu li e consigo imaginar vc contando essa história hahahahahahahahahahha a gente passa cada uma!!!
    Adorei conhecer seus perrengues !

  3. Gabriela Ghisi disse:

    Eu fiquei MUITO preocupada na nossa cerimonia de cidadania porque o Ian é pequeno e eles avisaram que se ele incomodasse eu teria que fazer o juramento em um outro momento. Mas ele dormiu e tudo se resolveu. E que bom que com vc tbem!

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