O que não dizer a uma mãe expatriada

Certa vez, depois de fazer alguns stories no Instagram, recebi a seguinte mensagem: “nossa, quanta olheira!”. A insensibilidade de algumas pessoas ainda me surpreende. Sim, sou uma mãe expatriada com olheiras de cansaço, por dormir pouco tentando dar conta de tudo que tem para fazer. As 24h do meu dia nunca são suficientes para terminar os meus afazeres. Assim como esse comentário, já recebi diversos, que mesmo bem intencionados me fazem rolar os olhos.

Mãe expatriadaPara essas pessoas sem noção eu aperto o botão do F$&@-se

E por que estou falando desse assunto? Porque é exatamente esse o tema do projeto Mães no Canadá esse mês. O que não dizer a uma mãe expatriada. Na verdade deveria ser o que não dizer a mãe nenhuma né?  A resposta é muito simples: não diga NADA a menos que lhe perguntem. Afinal, cada um é que sabe onde o próprio sapato aperta.

Mas claro que não poderia deixar de compartilhar alguns exemplos de pérolas que me tiram do sério! Vou tentar fugir das mais óbvias.

Você não devia deixar seu filho misturar idiomas. Você devia ensinar português em casa. Você não devia ensinar dois idiomas ao mesmo tempo. Seu filho não vai falar português.”… e outras relacionadas ao bilinguismo.

Quem é você para dizer o que devo ou não devo?

Pesquisas afirmam que aprender um segundo idioma traz benefícios, como já expliquei em vários posts sobre bilinguismo. Porém cada pessoa faz a escolha que quiser. E quando escolhemos ensinar dois idiomas não é nada fácil, é um desafio diário!

Ao invés de criticar e dizer que alguém deveria fazer isso ou aquilo, se coloque à disposição caso a pessoa precise ou peça sua ajuda. Nesse caso, educadamente indique um livro ou artigo que leu sobre o assunto, conte sua experiência, seus erros e acertos sem se impor.

E para quem não sabe, é perfeitamente normal crianças bilíngues misturarem idiomas. Essa substituição de palavras diminui a medida que ganham vocabulário no segundo idioma.

“Sua vida parece um sonho.”

Ah quem dera! Canadá não é Disney! Também temos problemas e dificuldades aqui.

E quer outro conselho, não julgue a vida de uma mãe expatriada pelo que mostram nas redes sociais. Afinal rotina, casa bagunçada, birra de filho, cabelo sujo e desarrumado, brinquedo pelo chão, pia cheia de pratos etc, dificilmente entram na pauta. A realidade é mais dura do que parece.

“Você não devia deixar seu filho tanto tempo assistindo TV ou brincando no iPad”

Concordo que o uso excessivo de eletrônicos não seja bom, porém devemos respeitar as escolhas pessoais de cada um. Além disso, atire a primeira pedra qual a mãe, ou pai, nunca utilizou as “babás eletrônicas” pois precisava terminar um trabalho, aprontar o jantar, dobrar a roupa que estava dentro da secadora há uma semana ou descansar por alguns minutos?

Sua casa está uma bagunça e você no salão (ou lendo um livro, ou vendo TV)

Pode parecer uma futilidade mas já parou para pensar que essa mãe precisava de alguns momentos para cuidar de si? Que ela precisava se permitir esse auto cuidado para não enlouquecer?

No período de 1 ano, conto nos dedos de uma mão as vezes que vou num salão. Sim até meu cabelo eu mesma corto….Quando me dou esse luxo, é num horário que as meninas estão na escola ou o marido em casa para supervisiona-las. A realidade é que para poder ter esse tempo só meu, preciso deixar de fazer outra coisa. Por muitas vezes me sinto culpada em fazer essa troca, mesmo quando o marido está dizendo larga isso aí para depois e vá descansar!

Ouvir esse tipo de comentário só piora a culpa. O mesmo vale para outros tipos de lazer, como sentar para ler ou assistir um filme, o salão de beleza foi apenas um exemplo.

“Eu dou conta do meu trabalho, da minha casa, dos meus filhos, do meu marido, da minha aparência e ainda sobra tempo para…”

Essa é a minha favorita, só que não. Se você é a Mulher Maravilha, good for you. Mas honestamente, é o tipo de comentário ou atitude ridícula que faz as outras mães se sentirem péssimas. Porque apesar de não dizer, fica implícito todas as outras que não conseguem fazer são inferiores.

Para resumir se você não pode oferecer seu suporte a outra pessoa que está fazendo malabarismo para dar conta do recado, então não diga NADA. Tenha mais compreensão e julgue menos.

Mãe expatriada

Agora me contem, quais as pérolas que te fazem rolar os olhos?


Projeto Mães no Canadá

E não deixem de conferir os posts das outras participantes do projeto.

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida em Toronto

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3 Resultados

  1. Denise disse:

    Sei bem do que vc está falando. Criei sozinha meus dois filhos desde que me separei e trabalhava feito um burro de carga 20 horas por dia 7 dias na semana sem Natal, Dia das Mães ou qualquer intervalo. Mas não me queixo porque criei dois seres íntegros, trabalhadores e admiráveis. Mas é uma barra. Tem dias em que vc abre os olhos, mira o teto e diz para si mesma: “Não pensa, vai! “. Hoje me dou ao luxo de sequer varrer o chão da minha casa e ver muitos filmes e ficar muito na internet ou, simplesmente não fazer NADA e dormir. Parabéns por seus posts, gosto muito deles.

  2. Nanda Holt disse:

    Também sinto um pouco de culpa quando pego um tempinho pra cuidar de mim. Mas realmente precisamos nos amar pra poder dar amor, senão vamos nos amargurando. Obrigada pelo ótimo conteúdo, Livi.

  3. Danielle disse:

    Amei seu post Livi!!! Menos julgamento e mais empatia!

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