Projeto Mães no Canadá: minha filosofia para criar filhos

Atenção, atenção, que hoje é dia de Projeto Mães no Canadá e acho que o tema desse mês vai dar o que falar. A pergunta que tentarei responder é: no que você se baseia para criar seus filhos? Gente que tema difícil de escrever!

Eu aprendi muitas coisas depois que me tornei mãe aqui no Canadá (leia aqui) e certamente isso influencia na forma como crio as minhas filhas. Meu objetivo é criar meninas independentes, seguras de si, determinadas, íntegras e sobretudo felizes. Sempre demonstrando muito respeito e amor no proceso.

Mas depois de pensar um pouco cheguei à conclusão que não sigo uma filosofia específica. Então listei 5 regras que considero muito importantes e tento seguir quando o assunto é a criação das minhas filhas.

Lembrando que essas são as minhas ideias e não estou dizendo que é a forma “correta”. É apenas o que julgo ser melhor para minha família. Respeito a opinião e o direito que cada um tem de fazer o que quiser.

1- Tentar achar um equilíbrio entre rotina estruturada e flexibilidade

Nesse ponto acho que sou uma mãe chata mas eu gosto de estrutura e de rotina. As meninas tinham uma rotina mesmo quando eram bebês. Aqui em casa tem horário para dormir, comer, estudar, brincar e tempo para a família. Ter essa rotina incentiva minhas filhas a serem mais independentes pois elas sabem o que esperar e o que é esperado delas. Elas conseguem dividir o seu tempo e se sentem mais responsáveis.

Elas sabem qual é a rotina da manhã, sabem que tem que fazer o dever logo que chegam da escola e que precisam dormir cedo para acordar cedo no dia seguinte. Eu tento manter uma rotina estruturada durante a semana mas dou uma relaxada nos fins de semana e nas férias, senão a casa vai virar um quartel.

Acho que esse equilíbrio proporciona a elas uma chance de entender que há momentos que precisamos seguir uma rotina e outros que podemos ser mais flexíveis e viver a vida de uma forma mais espontânea. Aliás, tento buscar um equilíbrio em tudo e não sobrecarrego as meninas com atividades extra curriculares. Afinal, assim como os adultos, as crianças precisam de um tempo livre para relaxar.

Ter essa rotina facilita para mim pois posso planejar minha vida. Porque aqui nesse Canadá não são todos os imigrantes que tem a família por perto para dar uma ajuda.

2- Limitar o uso da TV e eletrônicos

Eu acredito que tudo tem um benefício, até mesmo a TV e os eletrônicos. Porém, a partir do momento que a criança usa sem controle se torna uma coisa prejudicial. Em minha opinião, a criança precisa brincar para desenvolver a criatividade, curiosidade e a capacidade de interagir com outras crianças. Os eletrônicos, por mais educativos que sejam, não proporcionam isso. E parece que quanto mais elas ficam grudadas nos aparelhos mais alienadas e isoladas elas ficam. As minhas filhas quando usam demais ficam irritadas, briguentas e não querem fazer nada além de ficar com a cara colada na tela. Parece que entram num transe.

Elas ficam chateadas quando pedimos para desligar a TV e escondemos o carregador do iPad. Dizem que estão entediadas e fazem o maior drama. Mas depois de 5 minutos, inventam algo para ocupar o tempo. Geralmente espalham os brinquedos no basement e se divertem por horas. A regra aqui é uma carga de iPad por semana, se elas usarem tudo de uma vez, passam o resto da semana sem usar. No final elas acabam usando só para ler mesmo.

Deixamos ao alcance das meninas várias alternativas aos eletrônicos como livros, materiais para fazer artesanato, jogos de tabuleiro e recentemente compramos um kit da Little Passports que elas recebem mensalmente.

A impressão que tenho é que essa dependência dos eletrônicos piora no inverno. No verão elas passam a maior parte do tempo brincando no quintal e passam dias sem lembrar que existe TV. Também não gosto de eletrônicos na hora da refeição. Acho que é uma hora para a gente sentar em família e conversar. Fico triste quando vejo uma família sentada, cada um com um telefone e ninguém conversa com ninguém. #prontofalei

Como disse antes, tento sempre buscar um equilíbrio, nós temos videogames, ipads, Netflix, etc, e minhas filhas podem usar todos. Mas sem exageros.

3- Não contar mentiras bobas

Não tem jeito, o ser humano é mentiroso por natureza. E como pais mentimos por coisas bobas achando que estamos poupando a criança de algo ou para nos livrarmos de um aborrecimento. Quem nunca disse “depois eu compro” para o filho não fazer birra na rua ou “não vai doer” antes de tomar injeção ou “vovô viajou para muito longe” para não contar que ele morreu?

Entendo que as vezes a mentira é necessária porque a verdade pode não ser adequada naquele momento ou faz parte da magia de ser criança (como o Papai Noel). Mas eu tento dizer a verdade sempre que possível e tento explicar as coisas numa linguagem apropriada. Eu falo para as minhas filhas que a injeção vai doer, que não vou comprar o brinquedo porque não é aniversário nem Natal e também contei que o vovô tinha morrido (o pai do meu marido). Elas ficaram tristes, choraram mas aprenderam a lidar com a perda. Do que adianta eu dizer que a injeção não dói se logo depois elas vão sentir a picada. Elas precisam confiar em mim e ter a certeza de que podem contar comigo para responder suas perguntas.

Acho que a mentira tira a nossa credibilidade e autoridade para cobrar que a criança diga a verdade. Acho muito importante não prometer algo que não posso cumprir e isso vale para quem bota de castigo também. E se na hora da raiva você decretar que não vai ter iPad por um mês, cumpra.

4- Ser um exemplo para minhas filhas

Os filhos sempre se espelharão nos pais e as nossas ações tem muito mais impacto na formação deles do que nossas palavras. Estou longe de ser uma pessoa perfeita mas tento ser um exemplo para as minhas filhas nas minhas atitudes e hábitos. Não adianta eu falar para elas fazerem algo mas agir de forma diferente. No fim elas irão me imitar porque se “minha mãe faz então eu devo fazer também”.

Essa filosofia me vez enxergar através delas, comportamentos em mim que posso melhorar. Portanto sempre tento me conscientizar do que estou fazendo e falando. Faço sempre o possível para que minhas palavras e meus atos sejam coerentes. Não estou dizendo que é fácil,pelo contrário. Eu  por exemplo digo que não pode ficar no iPad mas fico horas sentada na frente do computador porque esse é o meu trabalho.

5- Seguir o meu coração sempre

Não acho que exista uma fórmula mágica para criar filhos, as crianças tem personalidades diferentes e nem sempre o que é bom para um é bom para outro. Como mãe tento sempre ficar atenta a essas diferenças nas minhas filhas e tento adaptar as coisas que aprendo para a minha realidade.

Hoje em dia não está fácil. Você faz uma coisa e aparece logo um monte para criticar e dizer que está fazendo errado e que você é a pior mãe ou pai do mundo. Ora mas ninguém é perfeito, nem os pais. Nós aprendemos a medida que vamos tocando o barco. Portanto sempre sigo meus instintos e faço o que acho que será melhor para minhas filhas. E quem quiser que fale mal.

Agora que já sabem o que penso, me contem como é na casa de vocês. E aproveitem para conferir o que as outras blogueiras do projeto falaram sobre o assunto.

Blogueiras do Projeto Mães no Canadá

Adriane | Like a New Home

Carol | Fala Maluca

Carol | Minha Neve e Cia

Gabriela | Gaby no Canadá

Mariana | De Bem Com a Vida

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida em Toronto

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2 Resultados

  1. Gabriela disse:

    Adorei seu texto e sua reflexão Livi… Beijos

  2. Adri disse:

    Muito bem explicado Livi! Tb uso desses tópicos para organizar as coisas aqui em casa!
    Adorei!
    Beijos
    Adri

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