5 Mitos sobre o bilinguismo

O dilema de criar, ou não, filhos bilíngues chega para todos os pais que vivem no exterior. E infelizmente muitos tomam a decisão de não ensinar seus filhos sua língua nativa baseados em mitos ou por falta de informação. Claro que a decisão cabe a cada um mas o importante mesmo é que seja baseada em fatos e não mitos. A desinformação também atrapalha na escolha de um método para ensinar e manter um criança bilíngue.

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Mito 1: Crianças bilíngues tem atraso no desenvolvimento da fala

É normal uma criança bilíngue demorar um pouco mais para falar do que uma criança monolíngue, mas o atraso é temporário e geralmente de pouco meses. Geralmente aos cinco anos a criança já tem vocabulário nos dois idiomas equivalente as outras que falam apenas um.

A longo prazo os benefícios de ser bilíngue superam qualquer desvantagem inicial, por exemplo, várias pesquisas comprovam que crianças bilíngues tem mais habilidade cognitiva e, segundo o Jornal New York Times, são mais espertas que as monolíngues (não fui eu quem disse, está escrito lá).

Mito 2: Bilinguismo causa confusão

Muita gente acha que aprender dois, ou mais, idiomas ao mesmo tempo confunde as crianças, que acabam misturando tudo e não aprendendo nada. Essa mistura é comum quando aprendemos outra língua (até nós adultos fazemos isso não é mesmo?) e não é indicação de que a criança não sabe a diferença entre os idiomas. A mistura ocorre porque o vocabulário dela ainda não está completo e ela precisa usar palavras dos dois idiomas para conseguir se expressar. Ou quer usar uma palavra que ela não acha no outro idioma, por exemplo, a palavra “saudade” não tem equivalente em inglês, dizemos apenas “I miss you” (sinto sua falta). Outro fator que contribui para a mistura é o exemplo dos pais, se nós misturamos em casa, os filhos também vão misturar.

Mito 3: É muito cedo, ou muito tarde, para ensinar um segundo idioma

Quanto mais cedo começarmos a ensinar um segundo idioma melhor. Por razões biológias, a criança mais nova tem maior facilidade para desenvolver um sotaque nativo mas isso não significa que uma criança mais velha ou adulto não possa aprender outros idiomas depois de uma idade X. Vai ser apenas um pouco mais difícil. Eu aprendi inglês com 19 anos.

Mito 4: Os pais precisam ser bilíngues

Mesmo que você não fale o idioma que quer ensinar para seu filho existem várias formas de criar oportunidades para que ele aprenda. Inclusive não é preciso estar no exterior para ter um filho bilíngue.

  • Escolha uma escola de imersão, creche ou contrate uma babá que fale o idioma desejado. Aqui em Toronto temos escolas de imersão francesa, por exemplo, ou escolas de idiomas em várias comunidades, sem contar a diversidade cultural. Então se quiser ensinar qualquer outro idioma além do inglês não seria difícil achar uma atividade apropriada.
  • Tente aprender junto com ele e pratique em casa, mesmo que sua pronúncia não seja perfeita.
  • Leve a criança a programas comunitários e playgroups no idioma desejado.
  • Complemente o aprendizado com músicas e filmes no segundo, ou terceiro, idioma.

Mito 5: A criança vai aprender sozinha

Talvez um dos erros mais comuns sobre bilinguismo é acreditar que a criança vai aprender por osmose qualquer idioma que ela for exposta. Que basta você falar em seu idioma nativo e ela ver TV em outro para aprender os dois na boa.

Mas a coisa não é bem assim, ela pode até entender mas não vai conseguir falar. Para aprender a falar é preciso interagir com o idioma pelo menos 30% do tempo. Se o idioma falado em casa for diferente do idioma dominante você precisa buscar oportunidades para que a criança pratique o segundo idioma. Assistir TV não proporciona nenhuma chance para conversar. Vale as dicas do mito anterior para praticar.

Os processos de ensinar e manter os idiomas são contínuos. Requer esforço dos pais para dividir o tempo entre as duas línguas. O que acontece com muitas famílias aqui é que as crianças quando pequenas aprendem o português em casa, depois vão a escola e aprendem o inglês. Quando vão crescendo passam mais tempo na escola e com os amigos, falando inglês, do que em casa falando português. Começam a praticar cada vez menos português, falam inglês com os pais e esquecem o nosso idioma. Muitos até compreendem mas não conseguem falar. Conheço inúmeros filhos de portugueses, italianos, etc na mesma situação.

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Imagem: Getty Images

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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3 Resultados

  1. Lana disse:

    Oi Livi. Que post mais interessante… Vivendo e aprendendo….

  2. Samia Miamoto disse:

    Ehhhhhhh. Aqui as misturas rendem altas risadas, ate da propria Leticia porque ela sabe que esta misturando mas na pressa vai um mix mesmo e quem quiser e que se desdobre para entender!! Kkk Mas e impressionante como ela se comunica bem nas duas linguas e aprendeu rapido a perceber com quem ela deve falar em portugues e com quem falar em japones. E lindo de ver! Agora o “ingreis” ajaponesa dela e de matar, voce ia chorar de rir ouvindo ela cantar “rerigo rerigo” (frozen) e “ouxigule”(all the single ladys)

  1. 22/06/2016

    […] Endereço: baianosnopolonorte.com Cidade aonde mora: Toronto, ON Descrição: Livi – a escritora do blog – define-se como “baiana, canadense, esposa, mãe, graphic designer, expatriada a 12 anos, apaixonada por viagens e dreamer“. O blog fala sobre suas viagens e sua vida canadense em Toronto. As dicas estão divididas em 3 categorias: Toronto, Vida no Canadá e Viagens. Um dos meus posts favoritos: 5 mitos e verdades sobre o bilinguismo […]

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