Um oficial de imigração canadense pode pedir para olhar celulares?

Os oficiais de imigração na fronteira canadense, por lei, têm o direito de pedir para olhar o seu telefone, tablet, laptop ou qualquer outro aparelho eletrônico. O nome dessa prática é “digital search”, ou busca virtual. Esse assunto está gerando muita polêmica aqui nas últimas semanas.

Muitas pessoas estão reclamando que isso é uma invasão de privacidade e eu entendo. Mas se olharmos por outro lado, na realidade que vivemos hoje, com terrorismo e outros problemas de segurança isso é inevitável. Então eu prefiro comprometer a minha privacidade do que a minha segurança.

Outra reclamação frequente é a falta de informações e transparência em relação aos direitos de residentes e turistas entrando no Canadá. Não há por exemplo um documento detalhado em relação a conduta do oficial de imigração, como há nos EUA.

O que os oficiais de imigração canadenses podem fazer ao cruzarmos a fronteira

Segundo o Jornal da CBC , além dos documentos pernitentes a viagem, o oficial de imigração canadense tem o direito de examinar qualquer um dos pertences do viajante, inclusive eletrônicos, sem precisar de um mandado.

No caso de eletrônicos, eles podem olhar todas as informações que estiverem salvas no aparelho e marcadas como lidas, como por exemplo fotos, emails ou mensagens de texto. Se o aparelho estiver bloqueado com uma senha eles podem pedir que você destrave ou forneça a senha. Eles não tem direito de entrar nas suas mídias socias para examinar (nos EUA eles podem fazer isso).

O direito dos viajantes

O viajante tem o direito de negar essa busca porém isso pode ser considerado uma atitude suspeita. Nesse caso os oficiais de imigração podem apreender o aparelho e enviar para a perícia ou negar a entrada de um turista, por exemplo.

Para pessoas que pensam em deletar tudo do telefone ou tablet, ou viajar sem eles, pense duas vezes. Isso também pode ser considerado uma atitude suspeita. O melhor é não guardar informações sigilosas como senhas, dados bancários, etc nos eletrônicos. O que, independente de estar viajando ou não, é mais seguro.

Para profissionais que guardam informações confidenciais de clientes em seus eletrônicos a recomendação é que elas sejam guardadas online para evitar a quebra de sigilo profissional.

A verdade é que no fim das contas, não tem para onde correr. Todo mundo fica nervoso ao cruzar fronteiras e a última coisa que queremos é contrariar o oficial de imigração. Melhor cooperar para não atrasar a viagem. E não fale mentiras para não se contradizer depois. Quando eles suspeitam de algo, repetem a mesma pergunta inúmeras vezes para verificar se a resposta muda.

O objetivo do post é apenas informar o que acontece e como agir, não é criar pânico. Essa busca virtual, assim como nas bagagens, é feita por amostragem ou quando eles suspeitam de alguma coisa. Não é feita com todos. Então, se você não está fazendo nada errado não tem motivo para temer uma busca virtual se cair na malha fina.

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Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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