Jasper e a região do Maligne Lake

 

O Parque Nacional de Jasper é o maior das montanhas rochosas canadenses. Muitas pessoas cruzam a Icefields Parkway até a geleira Athabasca e depois retornam para Banff sem nunca nem pensar em ir até a pequena cidade de Jasper. Mas vale a pena seguir a viagem pois a região é lindíssima.

 

Nós queríamos muito conhecer o Maligne Lake, que é famoso por causa de uma micro ilha chamada Spirit Island, que na verdade nem é ilha. Ela é um dos locais mais fotografados no Canadá e é capa de vários livros de turismo do país.

Quando estava pesquisando sobre a região, troquei idéias com a Liliane Inglez do blog Trilhas e Cantos, e queria deixar um sincero obrigado pelas dicas. Valeu!

Eu sei que a frase “saímos bem cedo” é repetida inúmeras vezes nos meus posts sobre as rochosas, mas é porque eu quero  enfatizar a importância do horário nessa viagem. Cedo significa maiores chances de ver animais na estrada, mais coisas visitadas no dia e menor multidão nas atrações. Nesse dia, em Jasper, vimos vários animais. Até então só tínhamos visto esquilos e pássaros.

O dia estava feio e nublado e a previsão para os próximos dias era muita chuva. Fiquei meio chateada mas não ia deixar que isso atrapalhasse nosso passeio.

Logo na saída do camping, ainda na Icefields Parkway, vimos elks andando tranquilamente pela pista. Eles são um tipo de cervo canadense, bem grandão. Esses da foto são fêmeas ou jovens, o macho adulto tem chifres. Reparem que alguns tem coleira de rastreamento, colocada pelos guardas florestais.

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Passada a euforia do primeiro encontro selvagem seguimos para o Maligne Canyon (52.921228, -117.998455). Há várias trilhas para explorar a região mas demos uma olhadinha rápida e seguimos.

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Se tiver carros parados ao longo da estrada é certeza que há animais. E ali, na Maligne Lake Rd, avistamos nosso primeiro urso preto. As meninas foram ao delírio!

O fofo estava andando pelo acostamento e vários turistas estavam do lado de fora dos carros, tirando fotos. Eu, no entusiasmo do momento, também desci. Mas quando o bicho levantou a cara e olhou na minha direção, a ficha caiu. Tenho certeza que voei até o carro. Ele continuou andando tranquilo sem se importar com as pessoas frenéticas do seu lado. Os ursos pretos, se não tiverem filhotes, são mais tranquilos que os pardos (grizzly), mesmo assim a recomendação é ficar no carro. Enfim, foi pura emoção, quase levei uma dentada do urso (#sqn) mas não perdi a foto!

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Ficamos um tempão dirigindo devagar e olhando o urso. Vi no jornal esses dias que há un incêndio nas imediações da Maligne Lake Rd e pela foto é bem perto desse lugar que vimos o urso. Muito, muito triste, estou de coração partido. A pista está fechada no momento. Como incêndios são comuns no verão sempre confirme as condições da estrada no site do parque, antes de ir.

Mais a frente tem um lago enorme, chamado Medicine Lake (52.872780, -117.805737). Aparentemente é um lago comum mas no outono e inverno ele desaparece, ficando apenas algumas poças e um pequeno filete de água. Após vários estudos, descobriu-se que a água é lentamente drenada para os rios da região. Durante a primavera e verão o volume de água do degelo é maior do que a capacidade de drenagem do local, formando o lago que pode chegar até 20 metros de profundidade. Os nativos não sabiam disso e achavam que algum tipo de magia fazia o lago desaparecer, daí o nome “medicine”.

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Nas imediações do Medicine Lake cruzamos com cabras montanhesas na ida e na volta. As bichinhas estavam quase peladas pois perdem o pelo no verão.

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Também vimos outro urso preto na volta (ou o mesmo que vimos antes) perto do lago.

Não vimos mais nenhum bicho o resto do caminho até o Maligne Lake (52.730020, -117.638380), a pronúncia correta é “Maline” viu gente. Pra não pagar mico.  Chegamos por volta do meio dia e só conseguimos comprar o passeio de barco para às 14 horas. Aproveitamos para fazer um lanche e dar uma olhadinha na lojinha de souvenirs.

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O lago impressiona pela sua grandeza, montanhas que o cercam e cor da água, quando mais entramos mais azul ele vai ficando. Pena que o dia nublado não ajudou muito e bem na hora que entramos no barco começou a chover. O tour demora em média 90 minutos.

A guia foi contando histórias e falando um pouco sobre a região. Ela disse que existem dois campings nas margens do lago e se você quiser se hospedar lá tem que ir remando. São de 3 à 6 horas para chegar no Fisherman’s Bay  que fica pouco antes da Spirit Island e 5 à 9 horas para chegar a Coronet Creek na margem oposta do Maligne Lake. Reservas precisam ser feitas em fevereiro para passar no máximo duas noites em cada um deles.

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A famosa ilhota fica 14km dentro do lago e só tem um jeito de chegar lá, de barco. Nós demoramos uns 30 minutos num motorizado. Não é permitido nenhum outro barco a motor no lago, além desses de turismo. A outra opção é ir remando numa canoa. Nesse caso, seriam de 4 a 7 horas dependendo das condições e experiência do remador.

Quando chegamos na pequena ilha, descemos e fizemos a trilha nas margens. Não é permitido ir na Spirit Island. A vista é mágica!

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O passeio não é barato, custa $67 adulto e $33.50 crianças a partir de 6 anos. O desconto de 10% que tivemos por causa da Canadream foi bem vindo. Valeu? Cada centavo!

No fim do dia visitamos rapidamente a cidade de Jasper, que mesmo pequena tem lojinhas, mercados e restaurantes. A estação ferroviária tem quase a mesma extensão da cidade e dá para ver os trens no pátio.

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Dormimos no camping Whistlers. No próximo capítulo tem o perrengue que atrapalhou nossa viagem.

Informações úteis

– Todas as coordenadas de GPS no post são só para referência, fique atento as placas indicativas na estrada.

– Leia sobre os campings que ficamos e aluguel motorhome, nesse post.

– Mais informações sobre Jasper.

– Mais informações sobre os campings no Maligne Lake

– Preços atualizados do passeio de barco

 

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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5 Resultados

  1. Adelio disse:

    Muito obrigado, Livi. Ficamos tocados com a presteza da resposta e toda atenção dispensada. Mesmo sem conhecer de fato a estrada, impossível não reconhecer a pertinência de todas as suas observações..Pode ter certeza que não deixaremos de levá-las em conta. Vamos dar uma olhada agora mesmo no blog da Gaby, estamos certos de que só terá a acrescentar, Esperamos que tudo saia, mais ou menos, como planejado na nossa longa jornada por terras canadenses. Ao todo, serão quase 32 dias e 6000 km, desde nosso desembarque em Vancouver, no dia 29 próximo, até nosso retorno ao Brasil, em Toronto, no dia 30 de maio. E evidente que suas dicas de Toronto não serão esquecidas. Há muito tempo, minha esposa já está de olho nelas, sobretudo, no que concerne aquilo que facilita as nossas vidas com os pequenos. Tudo seria mais simples sem eles. Mas, fazer o que, né. A verdade é que quando fizemos a opção por tê-los em nossas vidas, é porque realmente amamos essa dificuldade toda. Grande abraço e mais uma vez, obrigado.

  2. Adelio disse:

    Olá, meus caros. Primeiramente, gostaríamos de agradecer por tantas dicas úteis para aqueles que buscam o Canadá, como destino para uma viagem em família. Muito em breve, mais precisamente no dia 29/04, estaremos desembarcando em Vancouver para iniciar nossa viagem pelo Canadá. Depois de 4 noites nessa cidade, vamos alugar um carro para ir a Jasper. São mais ou menos 800 km que temos a firme intenção de percorrer em um único dia de viagem. Perguntamos, pois, se vocês conhecem o trecho/estrada (Yellowhead Highway), ou se tem informações confiáveis de quem conhece, para sabermos se é tranquilo para se fazer num único dia ou não, considerando, sobretudo, as condições da estrada, tráfego e o bem estar das crianças (uma menina de 05 anos e um bebê de 01)? Ficaremos imensamente gratos por qualquer informação nesse sentido. Grande abraço

    • Livi disse:

      Oi Adelio,
      Para ser sincera não conheço a estrada até Vancouver mas vou tentar te ajudar baseada nas pesquisas que fiz na época que fomos e nas informações que coletei em fóruns de viagem. O plano era ir até Vancouver mas desistimos por falta de tempo. É possível fazer sim, se você conseguir resistir a tentação de parar muito para apreciar a beleza, a região montanhosa é muito linda e dá vontade de parar a cada curva.

      As estradas aqui são sempre boas, mas as vezes há muitas construções durante o período que não tem neve, isso pode te atrasar um pouco. Segundo o Google, no momento tem um trecho entre Merritt e Kamloops em construção. Saia de Vancouver o mais cedo possível para você evitar o trânsito da cidade e fazer o percurso todo enquanto é dia. Não aconselho fazer depois que escurece pois além de ser uma pista sinuosa, aumenta o risco de ter animais cruzando na sua frente.

      Depois de Vancouver pare para abastecer em Hope, porque o próximo posto só em Merritt. Compre algo para comer em Hope ou em Merritt, ao invés de Kamloops que você vai perder menos tempo. Kamloops é maior então você leva mais tempo para entrar e sair da cidade.

      Se você olhar no mapa vai notar que as cidades são bem espaçadas e as vezes o trecho entro um posto de gasolina é bem grande, então planeje suas paradas para abastecer e ir no banheiro de acordo. Na estrada em si tem mirantes que você pode parar se quiser apenas esticar as pernas.

      A Gabriela, do blog Gaby no Canadá foi de carro de Vancouver até Banff, de lá foi para Jasper e depois voltou para Vancouver. Um percurso um pouco diferente do que você quer fazer mas ela passou na estrada que você vai passar. Dá uma olhadinha nesse post dela.

      Não confie em sinal de celular, leve um GPS normal. Na nossa viagem ficamos várias vezes sem sinal na estrada porque a estrada passa dentro do parque nacional.

      Um abraço e boa viagem para vocês!

  3. ginapsig disse:

    Maravilhoso esse lugar! Um paraíso! As meninas curtiram e aprenderam bastante nessa viagem. Recordação para sempre!

  4. Ana disse:

    É um barato ver os bichos livres, né Livi? A gente viu urso também. 🙂

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