Onze vezes dois – respondendo perguntas sobre mim

Fui convidada pela Ana, do Colorida Vida, para participar desse meme em Janeiro. O nome da brincadeira é onze vezes três (ou meme das 11 perguntas), mas como só vou fazer 2 partes mudei o nome.

As regras:

1) escrever 11 coisas aleatórias sobre mim;
2) responder 11 questões enviadas por ela;
3) fazer outras 11 questões para mandar para 11 blogueiras que eu convidar (essa parte não vou fazer pois não conheço onze blogueiras que ainda não participaram dessa brincadeira)
4) não convidar quem me convidou; e
5) postar também as regras.

Onze coisas aleatórias sobre mimNIK_2782 web

1) Nunca esqueço do rosto de alguém mas lembrar nomes é um problema.

2) Tenho pavor de falar em público. Faço o que puder para evitar.

3) Adoro tirar fotos, detesto sair na foto.

4) Não gosto de café.

5) Gostaria de ser vegetariana, cortei carne da minha
alimentação e as vezes passo dias sem comer mas não consigo parar de vez.

6) Tento, sempre que possível, comprar produtos que não são testados em animais.

7) Não gosto de filme que o mocinho não termina com a mocinha, ou que a história não termina bem. Ficção é meu gênero preferido.

8) Sempre tive vontade de morar fora do Brasil, quando era adolescente adorava ir para o aeroporto olhar os aviões chegando e partindo.

9) Saí de casa e mudei de país com 19 anos. Ainda bem que meus pais me apoiaram.

10) Cheguei no Canadá sem falar nada de inglês e aprendi o idioma praticamente sozinha assistindo TV e estudando livros de gramática. Só depois fui para a escola.

11) Já fiz de tudo um pouco na vida. Eu tenho um diploma em química, um em administração e outro de designer gráfico.

Já dei banca de matemática quando adolescente, trabalhei como analista de laboratório na Bayer, depois como faxineira (quando cheguei no Canadá como estudante e não arranjava emprego de nada), secretária em escritório de contabilidade, proprietária de loja de roupas no litoral norte de Salvador, assistente comercial na Costa do Sauípe, SAC na Future Shop (para cumprir a exigência de experiência canadense quando imigrei) e coordenadora de produtos no website da Hudson Bay (Canadá). Esse foi o meu último emprego antes de virar mãe em tempo integral (e o que mais gostei), não sei bem se o nome do cargo é esse me português mas eu, juntamente com 6 colegas, éramos responsáveis por cadastrar e controlar os produtos que iam para o website das três lojas da empresa (The Bay, Home Outfitters e da falecida Zellers). Agora trabalho como freelance graphic designer e escrevo blog nas horas vagas.

Com essa vasta e variada experiência, meu maior problema é fazer um currículo.

Perguntas da Ana

1) O que mais você sente falta do Brasil?

Família e amigos.

2) Qual foi o seu maior choque cultural quando veio morar aqui?

O meu maior choque quando cheguei foi o frio mas culturalmente acho que foi a diversidade da população e não saber como me comportar com cada um deles. Um exemplo: quando conhecia alguém tentava fazer como Brasil e trocar beijinhos. Imagine o pulo que a outra pessoa dava e a vergonha que eu ficava. Aqui na parte inglesa do Canadá  um aperto de mão é mais do que suficiente e um abraço só entre os amigos íntimos ou família. Beijinho só se for italiano, brasileiro, latinos e portugueses.

3) O que você já incorporou da cultura canadense na sua vida?

Não andar com os sapatos da rua dentro de casa, tomar chocolate quente do Tim Hortons, DSC_6477fazer farofa picnic no parque ou na praia, ser pontual, comer andando pela rua, cozinhar comidas típicas de outros países, celebrar o dia das bruxas, frequentar bibliotecas e centros comunitários, ser tolerante com outras culturas… sei lá, acho difícil definir onde começa e acaba a cultura canadense por causa da diversidade de povos que moram aqui em Toronto. Talvez em outras cidades ou províncias a cultura canadense seja mais definida.

4) Como escolheu a cidade/província para onde você foi?

Ficamos na dúvida entre ir para alguma cidade na província de Alberta (meu marido tem formação na área petroquímica) ou Toronto e desistimos da primeira por causa do frio e da distância para o Brasil. Toronto além de ser maior tinha mais oportunidades para alguém sem lenço e sem documento. Quando fizemos o proceso de imigração decidimos voltar para cá pois já conhecíamos e seria mais fácil se readaptar.

5) Pra quem tem filhos: eles falam português com os pais? Como você encara a questão do inglês dentro de casa?

Aqui em casa falamos português. Não consigo falar inglês em casa, é um reflexo automático. Logo que chegamos, eu e meu marido tentávamos conversar em inglês para treinar mas acabávamos falando português.  Com as meninas fiz questão de ensinar o português, acho que foquei até demais e isso está me trazendo alguns problemas agora. Percebi que a Elena, minha filha mais velha, está tendo problemas para fazer amigos porque não fala bem inglês. As pessoas perguntam em inglês e ela responde em português. Estamos praticando mais agora e ela está aprendendo rápido (quero escrever um post sobre isso).

6) O que tem de bom na cidade onde você mora?

Toronto é uma cidade grande e oferece muitas opções culturais e de lazer. Tem estilo de vida apressado e agitado como toda metrópole, gosto disso. Acho praticamente tudo que procuro aqui, inclusive produtos brasileiros. É uma cidade limpa, organizada, segura e cheia de oportunidades. Todos tem as mesmas chances e nunca enfrentei nenhum tipo de preconceito pelo fato de ser imigrante ou falar com sotaque.

7) O que não é tão bom assim onde você mora?DSCN0403

O inverno é muito frio e muito longo. Mas poderia ser pior. 🙂

8) Se você pudesse fazer algo diferente desde que imigrou pra cá, o que seria?

Nós viemos para cá em 1998 e ficamos 5 anos sem status de imigrante. Tivemos que voltar ao Brasil para fazer todo o processo de imigração e voltamos em 2007 com tudo certinho. Se pudesse mudar teria procurado imigrar legalmente em 1998 (que era até mais fácil do que em 2007). Foram 5 anos com a vida suspensa, trabalhando em sub-emprego, exilados aqui e depois mais 4 esperando a papelada sair no Brasil. Mas aprendemos com nossos erros não é?

9) O que você acha do sistema educacional do Canadá?

A experiência que tenho do sistema educacional aqui é o College e não tenho do que reclamar. O que não gosto é que não dá para cursar a universidade a noite. Eles oferecem alguns cursos ou programas a noite ou online mas não é como no Brasil que dá para trabalhar de dia e ir para a faculdade a noite. Os Colleges oferecem programas a noite mas não estão no mesmo nível de uma universidade, ao meu ver são cursos profissionalizantes.
Em relação a qualidade do ensino fundamental e médio não posso atestar ainda. Escrevi um post sobre minhas primeiras impressões das escolas em Ontário.

10) Ficar ou voltar?

FICAR, não tenho vontade nenhuma de voltar. Cada vez que vou ao Brasil e vejo como as coisas estão por lá tenho mais vontade de ficar aqui. Acho que é um sentimento de todo imigrante querer voltar para “casa”, mas o sentimento que tenho agora é diferente do que tinha na primeira vez que morei aqui. Naquela época tinha vontade de voltar, lembrava apenas das coisas boas do Brasil, sentia um falta enorme da minha família. Tinha planos de juntar uma grana e voltar. Foi o que fiz. Ao encarar a realidade no Brasil queria desesperadamente voltar para o Canadá. Claro que se tivesse que ficar no Brasil iria me readaptar, afinal é meu país. Podendo escolher, prefiro o Canadá. Para voltar a morar lá muita coisa teria que mudar. A falta da família ainda é grande, com tempo aprendi a conviver melhor com isso.

11) O que mudou em você com a imigração?

A imigração me fez amadurecer como pessoa, ser mais independente, forte, tolerante, humilde e perceber que sou capaz de encarar muito mais do que imaginava.

Gostei de participar da brincadeira, me fez pensar um pouco sobre quem eu era e na pessoa que me tornei depois de imigrar. O caminho percorrido até aqui foi longo e cheio de dificuldades, um aprendizado contínuo, estou muito feliz de estar onde estou agora.

Obrigado pelo convite Ana!

Livi

Baiana expatriada em Toronto. Adora escrever sobre suas viagens em família e experiência de vida no Canadá

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8 Resultados

  1. Carina disse:

    Oi Livi, like que vcs passaram 5 anos “sem status” uma curiosidade; mesmo assim conseguiram imigrar depois? Como foi o processo, tudo tranquilo? Esses anos nao atrapalharam em nada no processo de imigração?

    • Livi disse:

      Oi Carina,

      Outros tempos, outras leis. Mas na época isso nos atrapalhou bastante sim. No fim, resolvemos voltar para o Brasil e recomeçar o processo de migração. Eles nos fizeram pagar por uma autorização para retornar e o processo demorou um tempão para sair. Ainda bem que deu tudo certo no final.

  2. Mia Novais disse:

    Livi, também adorei saber um pouco mais de você!

    Quando era pequena meu pai me levava no aeroporto para ver os aviões decolando, na época era um sonho dele viajar de avião já que o dinheiro era curto e as passagens inacessíveis para quem não tenha muito poder aquisitivo, graças a Deus ele realizou o sonho e levou a família toda com ele, estava do seu lado quando o vi voar pela primeira vez, ele se emocionou (e nós tb!)! Gosto até hj de ir em aeroportos, fico vendo as pessoas e pensando de onde elas vieram e o que foram fazer lá ou para onde estão indo.

    Sobre a vida no Canadá só sei que o inverno é mesmo rigoroso, estive em Toronto em janeiro de 2010 e fez bastante frio rs!

    Parabéns pela estória de vida que construiu, que seus sonhos possam continuar se realizando sempre!

    Bjo

    • Pois é imaginava a mesma coisa quando estava nos aeroportos e desejava um dia ser uma daquelas pessoas que iam ou vinham. A primeria vez que viajei de avião foi com 18 anos, a trabalho. A segunda foi para o Canadá. 🙂
      Obrigado Mia!

  3. Ana disse:

    Adorei saber mais de você, Livi! Não sabia que vocês tinham vindo pra cá antes de serem imigrantes! Menina, que aventura, hein?

    E sobre o português e a Elena, não ache que o português atrapalha ela não. O que acontece é que ela ainda não tem vivência suficiente em inglês. Ela vai pra escolinha, não vai? Ela vai acabar pegando, você vai ver. Só não deixe de falar português com ela! Porque a tendência é eles pegarem o inglês e depois não quererem mais falar o português. O que ela sabe de português, ela vai transferir pro inglês e vice-versa. Acabei de fazer um trabalho pro curso sobre crianças bilíngues e morro de dó toda vez que eu ouço/leio sobre essas questões e as dificuldades que os pais enfrentam. Aqui em casa a regra do português funciona bem, elas não se confundem com as línguas e se viram muito bem nas duas. Tudo é fase.

    • Sei que ela falará inglês fluente em breve, só fico de coração partido quando ela me pergunta por que as crianças não querem brincar com ela. Com os amiguinhos que falam português não tem esse problema. Ela só começa a escola em setembro, por enquanto coloquei nuns programas da prefeitura que é tipo pré-escolar. Não vou parar de falar português com ela mas quero que ela pratique um pouco o inglês para não começar as aulas sem saber nada.
      Quanto a vir para o Canadá antes de ser imigrantes foi realmente uma grande aventura, nos ensinou muito!

  4. Mamãe Nádia disse:

    Eu já participei dessa tag e gostei bastante!
    Vim te desejar uma ótima semana, antes tarde do que nunca!
    Que venham muitos posts aqui no blog!
    Beijos!

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